terça-feira, 5 de junho de 2012

Voto Nulo

Lauro Araújo

Nas últimas semanas surgiu e vem “crescendo”, de maneira tímida, uma campanha nas redes sociais, em especial facebook, a favor do Voto Nulo como um instrumento de manifestar a indignação que grande parte da sociedade compartilhada a respeito das notícias de corrupção que presenciamos cotidianamente. Esse intenso e continuo comportamento oportunista que parece ser quase inato aos seres humanos, no entanto mais fácil de ser identificado por nós no outro, e ainda mais claro naquele que ocupa um cargo político.
 Como já observa o jargão “todo político é ladrão”, quais os motivos para votar então? Partindo dessa perspectiva estamos condicionados a uma impotência demasiada, tendo como único recurso para mudar este quadro, o voto. Desta forma, nos parece realmente uma grande ação o voto nulo, afinal garantiria a justiça social, o poder ao povo. Mas como o poder ao povo? Caso tal ação desse realmente certo, o que seria feito depois que o congresso fosse suspenso, estabelecer-se-ia um estado anárquico? Eleger-se-ia novos representantes que não estariam isentos de cometer o mesmo tipo de equívocos e atitudes de má-fé que os anteriores?
  A ideia de votar nulo em um país como o nosso, me parece uma atitude carente de maturidade e irreflexiva. Uma espécie de inquietação (ou rebeldia) adolescente, no qual ignoramos uma gama de fatores histórico-políticos e teorias políticas desenvolvidas por inúmeros sujeitos renomados. Acreditamos que assim estamos sendo de fato ativos politicamente e contribuindo para melhoria do país, ou então que não somos coniventes com esses representantes políticos, pois simplesmente não votamos, o que provocaria uma sentimento de tranqüilidade, já que nos isentaria de qualquer responsabilidade e ainda mais, nos daria o direito de criticar de maneira pejorativa o eleitor que exerceu o direito de escolha, como se fossem supercidadãos(ãs).
  Não tenho dúvidas que os mais revoltosos não hesitariam em declarar injurias a minha pessoa, no entanto outros questionaram sobre qual atitude seria conveniente. Afinal, haveria uma atitude correta? A primeira, e talvez a mais coerente, é o voto consciente. Mas tal resposta promove outro questionamento, como voto consciente se todos os candidatos possuem conduta duvidosa, quando não são declarados corruptos oficialmente? Diga-se de passagem, uma generalização que afirma que os sujeitos que ingressam na vida política estão condicionados a ações criminosas. Como se houvesse uma natureza humana e esta tendesse à maldade, estando adormecida e despertando no momento em que o sujeito tem acesso a política. Nesse caso, não havendo um candidato digno de tornar-se seu representante político, resta-lhe a opção de agrupar-se aos revoltos e candidatar-se, apresentando novas propostas, e no caso de eleito(a) fazer melhor o que não foram capazes de fazer por ti e pelos teus. No entanto essa parece ser uma opção que resultará num processo longo e cansativo, sendo mais vantajoso esperar pelo fim de mais uma má gestão e novamente expressarmos nossa insatisfação, propondo atitudes como o voto nulo.
Possuímos o direito e o dever de fiscalizar e manifestar nossa indignação, mas poucos ou quase nenhum, sãos os momentos em realizamos atitudes cujos resultados são significativos. É lamentável que acreditemos que a nossa força surge e desaparece em poucos minutos a cada quadro anos numa urna eletrônica, quando votamos. É triste que não sejamos capazes de perceber que exigir a prestação de contas e clareza em todos os processos políticos seja uma grande arma para combater a corrupção.
Parece ser evidente que podemos escolher entre sermos um ator, que protagoniza o processo de mudança ou votar nulo, na vã esperança que mudanças ocorram de modo quase milagroso. Óbvio que é mais fácil optar pela segunda, pois é menos trabalhosa.
É preciso uma reflexão de maneira mais madura sobre como podemos realizar mudanças, pois atitudes como essa podem beneficiar a outros – os que tanto detestamos. A verdade é que vivemos em uma sociedade segmentada, onde cada grupo defende seus interesses, assim sendo, seria ingenuidade acreditar numa postura de neutralidade.  
Deixo esta mensagem de reflexão para todos. Mas como é do conhecimento de todos, o voto é um direito de todos e uma manifestação de cidadania existente apenas em estados democráticos, no entanto não podemos jamais esquecer que não possuímos apenas o voto como maneira de protesto.

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